quarta-feira, 5 de abril de 2017

Planalto tenta reaproximação com Calheiros


Com receio da aprovação de flexibilizações nas reformas governistas, o presidente Michel Temer iniciou uma reaproximação com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) para evitar que sua insatisfação com a gestão federal contamine a base aliada. Renan, por sua vez, voltou a criticar o governo em uma longa entrevista nessa terça-feira (4). O presidente escalou senadores mais próximos ao líder do PMDB, como Romero Jucá (PMDB-RR) e Aécio Neves (PSDB-MG), para retomar a interlocução com o peemedebista e evitar o aumento da tensão na relação entre ambos.
A intenção de Temer é passar o recado a Renan de que as “portas estão sempre abertas” caso ele queira discutir as medidas governistas, entre elas a reforma previdenciária, que tem sido criticada publicamente pelo senador. Em um primeiro momento, a ideia é aguardar uma reação do peemedebista. Caso não ocorra, o intuito é monitorar os passos do senador até maio, quando o governo acredita que as mudanças na aposentadoria serão enviadas ao Senado. A partir de então, a intenção do Planalto é aumentar a ofensiva com a realização de um encontro entre Temer e Renan.
A reaproximação tem como objetivo evitar um racha na bancada peemedebista, que tem manifestado opiniões divergentes sobre as medidas governistas, e impedir que o Renan influencie senadores governistas que disputarão a eleição do próximo ano e, por isso, estão preocupados com o impacto das medidas em suas bases eleitorais.
Ainda com essa intenção, o presidente pretende promover reuniões neste mês com os demais senadores da bancada peemedebista para impedir um movimento de distanciamento do Palácio do Planalto.
Críticas
Apesar do reaproximação ensaiada pelo Planalto, Renan manteve a posição de ataque ao governo. “O PMDB vai cumprir seu papel, [com] encaminhamentos, políticas públicas? Ou não vai? Vai ter que patrocinar as reformas vindas do Planalto sem discutir? São essas perguntas que tem que responder. Se continuar assim, vai cair governo para um lado e PMDB para o outro. Isso interessa a quem? É uma questão política, não é uma questão de diferença pessoal”, afirmou Renan.