terça-feira, 30 de maio de 2017

Decisão de Cid divide opiniões para 2018


A possível candidatura do ex-governador Cid Gomes (PDT) ao Senado nas eleições do ano que vem repercutiu entre deputados e lideranças partidárias. Durante encontro no final de semana, Cid admitiu que será candidato e acrescentou que a outra vaga poderia ser pleiteada pelo correligionário e presidente estadual do PDT, deputado federal André Figueiredo. Aliados classificaram como “normal”. Opositores, embora considerem a força política de Cid, lembraram o desgaste sofrido pela delação premiada da JBS.
Integrante do grupo liderado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes, o deputado federal Chico Lopes (PCdoB) classificou como “normal” a apresentação de nomes nesta fase do processo e afirmou que candidatura do ex-governador é “forte”. “Nós, assistimos a declaração de Cid como normal. Tá todo mundo se preparando. Nenhuma liderança contesta a forma política dele. Mas, muitas coisas têm para acontecer até 2018. Os nomes vão se lançando, mas, faltando pouco tempo para as convenções, que se dá os acordos políticos”, frisou Lopes, acrescentando “absolvemos as notícias como uma fase de apresentação”.
No final de semana, durante encontro regional do PDT, em Itarema, Cid contou que as recentes delações trouxeram uma nova motivação para a sua candidatura nas próximas eleições. “Eu tava achando que já não devia ser candidato a nada. Mas essas coisas, acho que trazem uma motivação. Acho que trazem o sentimento de briga. E, se queriam isso, eu estou hoje muito mais a ser candidato do que estava alguns meses atrás. Porque isso será uma oportunidade de, no dia a dia, demonstrar para a minha gente cearense que comigo não tem maracutaia, comigo não tem ladroagem, comigo não tem desonestidade”, disparou o pedetista.
Cid também afirmou que o Congresso Nacional precisa de “políticos honestos” e que trabalhem em nome da população. “Eu prego e sou uma pessoa honesta. E acho que a política está precisando de mais gente honesta. E é isso que, de alguma forma, me motiva. Porque, se eu não sou candidato, talvez esteja abrindo espaço para um ladrão, um vagabundo, um corrupto, ocupar este espaço. E, em nome de servir ao meu povo, em nome de lutar para que a política seja um espaço de gente séria, um espaço de realização para a população, principalmente daqueles que mais precisam, é que eu, de novo, estou me motivando a talvez ser candidato em 2018”, enfatizou.
Na avaliação do deputado Ely Aguiar (PSDC), apesar da “grande liderança do Cid”, a delação da JBS lhe proporcionou um “desgaste político”. “Embora não possamos fazer um julgamento precipitado, na minha avaliação houve uma repercussão negativa, mesmo ele negando e falando que irá processar o delator. Hoje um desgaste muito grande quanto ao seu nome. Mas, ninguém pode negar sua força política”, disse o parlamentar.
Ely Aguiar defende, ainda, que a Justiça crie uma “força-tarefa” para dar celeridade aos processos de corrupção antes do processo eleitoral do ano que vem e a votação da reforma política no Congresso Nacional, sob a justificativa que o julgamento não contamine o processo. E cobrou da Assembleia Legislativa uma apuração dos fatos em relação às denúncias envolvendo Cid Gomes.

Factóide
“A candidatura é forte, mas ele não vive um bom momento político e, talvez, daqui para 2018, essa situação pode piorar”, salientou o deputado estadual Capitão Wagner (PR). Desafeto dos irmãos Ferreira Gomes, o parlamentar criticou a declaração de Cid. “Num momento em que ele está sendo acusado de favorecimento, de certa forma, é incoerente. É querer criar um factóide. Faler em honestidade após as acusações feitas por um empresário é querer demarcar um espaço, que não lhe favorece hoje”, disse ele, fazendo referência a fala de Cid: “o Congresso Nacional precisa de políticos honestos e que trabalhem em nome da população”.

Mais
Segundo o empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, Cid Gomes pediu R$ 20 milhões para financiar a campanha do então candidato a governador, Camilo Santana em 2014. Ainda conforme a delação premiada, o valor foi entregue em propina por meio dos atuais secretários Arialdo Pinho e Antônio Balhmann. Cid Gomes nega a acusação e processará o empresário.