terça-feira, 15 de março de 2016

DELCÍDIO EM DELAÇÃO: AÉCIO RECEBEU PROPINA DE FURNAS

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) acusou o tucano Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do PSDB e líder principal do golpe contra o governo da presidente Dilma Rousseff, de ter recebido propina no esquema de corrupção em Furnas. A declaração foi feita em delação premiada homologada nesta terça-feira 15 pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

"Questionado ao depoente quem teria recebido valores de Furnas, o depoente disse que não sabe precisar, mas sabe que Dimas [Toledo, ex-presidente de Furnas] operacionalizava pagamentos e um dos beneficiários dos valores ilícitos sem dúvida foi Aécio Neves", diz trecho da delação. O acordo também prevê que Delcídio pague uma multa de R$ 1,5 milhão em dez parcelas.

Delcídio declarou ainda que Dimas Toledo tem "vínculo muito forte" com Aécio e que sua indicação para o cargo teria partido do tucano, junto ao PP, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A revelação confirma o que já foi delatado pelo doleiro Alberto Youssef - de que Aécio indicou Dimas e que recebia propina de Furnas. No entanto, nenhum inquérito foi aberto para apurar o caso.

O senador petista relatou que foi questionado pelo ex-presidente Lula sobre quem era Dimas Toledo, durante diálogo em uma viagem ocorrida em 6 de maio de 2005. Segundo ele, Lula teria explicado o motivo da pergunta: "Eu assumi e o Janene veio pedir pelo Dimas. Depois veio o Aécio e pediu por ele. Agora o PT, que era contra, está a favor. Pelo jeito ele está roubando muito".

Outra denúncia de Delcídio contra Aécio diz respeito a uma fundação no exterior. Ele conta ter ouvido de Janene que Aécio era "beneficiário de uma fundação sediada em um paraíso fiscal, da qual ele seria dono ou controlador de fato". A instituição estaria no nome da mãe do tucano ou do próprio Aécio Neves e a operação financeira teria sido estruturada por um doleiro do Rio de Janeiro.

Em outro trecho da delação, Delcídio acusou Aécio de atrasar envio de dados do Banco Rural para a CPI dos Correios, que investigava o 'mensalão', a fim de realizar uma "maquiagem" nas informações. "A maquiagem consistiria em apagar dados bancários comprometedores que envolviam Aécio Neves, Clésio Andrade, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Marcos Valério e companhia", disse.

Na delação, o parlamentar também fez acusações contra o atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Segundo ele, Mercadante lhe propôs ajuda financeira para evitar a delação.

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