quinta-feira, 5 de julho de 2018

Ciro é vaiado em evento da CNI por empresários


Pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT-CE) foi vaiado por empresários ao dizer que vai rediscutir a reforma trabalhista durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ciro disse não ter poder para revogar a reforma trabalhista, mas que seu compromisso é retomar a discussão. Ele chamou a mudança na legislação feita pelo Congresso de “selvageria” e disse estar do lado dos trabalhadores.
“Meu compromisso com as centrais sindicais é botar esta bola de volta para o meio de campo”. Ao ser vaiado após esta declaração, Ciro reagiu; “Pois é, vai ser assim mesmo. Se quiserem presidente fraco, escolham um desses aí que vêm com conversa fiada para vocês”,
“Confiança não é simpatia. Confiança é não mentir”, disse o pré-candidato, que ao final do encontro, pediu desculpas por qualquer “veemência”, mas afirmou aos jornalistas não ter se sentido agredido.
Ao final da sua fala no evento, Ciro abaixou o tom e tentou se reconciliar com a plateia. “Eu queria pedir desculpas pela veemência. Mas eu não estou aqui para ser simpático. Vocês podem não gostar de mim, mas tenham certeza que eu sou um brasileiro disposto a lutar pela nossa pátria”, disse.
Em entrevista após o evento, ao ser questionado sobre o episódio, se mostrou desconfortável. Quando comparada a reação da plateia à fala dele e à de seu adversário Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que foi aplaudido diversas vezes, disse que são “finais dos tempos”.
O presidenciável demonstrou incômodo com a insistência dos repórteres neste assunto e em perguntas que abordavam seu temperamento. “Escrevam o que vocês quiserem. Já estou acostumado”, afirmou.
Críticas
Antes do momento mais acalorado da palestra, Ciro disse que, eleito, quer promover reformas nos seis primeiros meses de governo. Sobre a reforma da Previdência, ele voltou a propor consulta popular.
“Não vamos sair do atoleiro sem um amplo diálogo. Não estamos virando o jogo. Estamos afundando estrategicamente como nação”, afirmou Ciro, que disse que pretende agir “pesadamente” em questões de juros e taxa de câmbio e defendeu subsídios agrícolas.
No campo político, Ciro disse que o poder político de Brasília está desmoralizado e que parte do Congresso é vista como corrupta. “No Executivo nem se fala. Na minha opinião, há um quadrilheiro na Presidência da República”.
Ciro Gomes ainda criticou o Judiciário, que, para ele, extrapola suas funções. “A quem serve uma democracia onde um presidente da República nomeia um ministro e um ministro do Supremo Tribunal Federal, exorbitando frontalmente a Constituição, por liminar, proíbe este ministro de tomar posse? O Judiciário brasileiro precisa voltar para o seu quadrado. O Ministério Público brasileiro precisa voltar para o seu quadrado”, afirmou Ciro, sendo aplaudido pelos empresários.
Por duas vezes, recentemente, a Justiça impediu ministros de tomar posse. Em 2016, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi impedido de assumir um ministério quando nomeado pela então presidente Dilma Rousseff. No início deste ano, no governo Temer, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) não conseguiu assumir o Ministério do Trabalho.
Questionado sobre essa colocação, Ciro disse em entrevista que não mudaria o critério de escolha ou número de ministros do STF e voltou a fazer críticas.
“O colapso do poder político democrático pela desmoralização da Presidência da República, pela desmoralização da maioria do Congresso, tem permitido essa intrusão completamente descabida”, afirmou o presidenciável. “Esta anarquia já passou do limite.”
Excluído
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), divulgou nota em protesto contra a decisão da CNI de não convidar um representante petista para a sabatina com pré-candidatos ao Planalto.
“Ao excluir um representante do ex-presidente Lula, a CNI deixa de conhecer as ideias e propostas de quem reúne as melhores condições de pacificar o país e retomar o caminho do desenvolvimento”, diz o texto.
Preso em Curitiba desde abril, Lula deve ficar inelegível pela Lei da Ficha Limpa e o PT terá que indicar um nome para substitui-lo nas urnas. Até lá, porém, insistirá que o ex-presidente é candidato e reivindicará que um representante dele participe das sabatinas e debates.