terça-feira, 5 de junho de 2018

Camilo amplia arco de aliança; Oposição questiona

O governador Camilo Santana prepara sua campanha à reeleição com um arco de aliança que foi ampliado nos últimos meses. Nos bastidores, já são 19 partidos na lista dos que devem compor a chapa majoritária.
Até mesmo siglas que estavam rompidas, desde o final de 2016, por conta da eleição da mesa diretora da Assembleia, decidiram voltar ao grupo e devem pedir votos para o petista. É o caso do PSD, liderado pelo ex-governador Domingos Filho.
“Esse é um processo que vinha desde 2006. Desde essa época estávamos vinculados aos Ferreira Gomes. Em 2014, pedimos votos para o Camilo [Santana] e nossos eleitores votaram nele. No decorrer do mandato, houve esse percalço com a eleição para a mesa diretora da Assembleia, em que nós defendemos um candidato e eles, outro. Houve uma ruptura momentânea e algumas pessoas não aceitaram essa oposição”, pondera o deputado Odilon Aguiar (PSD).
O parlamentar ressalta que o “racha” ocorrido com a disputa pelo comando da AL já foi superado. “Agora, quando houve esse convite do Cid [Gomes] para fazer essa parceria novamente, as pessoas aceitaram naturalmente”, disse.
Plenário
Na semana passada, parlamentares de oposição expuseram o assunto no plenário da Assembleia Legislativa. O deputado estadual Heitor Férrer (SD) levou uma flanela para a tribuna da AL, em crítica a mudança de lado de partidos da oposição para a base aliada do Governo do Estado. Segundo Férrer, a flanela seria para “dar polimento na cara de pau da politicalha do Ceará”.
Em seu pronunciamento, o deputado resgatou o episódio em que foi aprovada emenda de sua autoria fundindo os tribunais de contas do estado, quando foi acusado de aliar-se ao Governo por políticos que agora deixam a oposição, como ex-conselheiro Domingos Filho. “Vi uma das grandes lideranças políticas do Ceará, maestro da resistência aos Ferreira Gomes na fusão dos tribunais de contas, a respeitada liderança de Domingos Filho beijar circunflexo o nó do chicote, se curvar e hoje fazer parte da base aliada do governador Camilo Santana e do grupo Ferreira Gomes”, criticou.
Galho em galho
O parlamentar comparou, ainda, a mudança de lado dos partidos com a de um “sabido macaco, que pula de galho em galho para pegar o fruto mais suculento”. Em sua fala, ele reafirmou acordo feito com o presidente do Solidariedade no Ceará, deputado Genecias Noronha, para continuar com seu posicionamento de oposição ao Governo do Estado.
“Coerência”
Na ocasião, o deputado Ely Aguiar (PSDC) avaliou que a população cearense vai saber reconhecer os políticos que têm coerência. “Alguns deputados desta casa têm se mantido firmes no propósito de ajudar o Ceará e vão continuar fazendo isso, pois o povo vai saber retribuir”, ressaltou.
Já o deputado Roberto Mesquita (Pros) reconheceu que foi um dos que mais atacou Heitor nas discussões sobre o TCM, por entender que ele teria sido utilizado pelo grupo do governador Camilo Santana para uma vingança política. “Hoje, apenas registro a coerência, o espírito público e a contribuição dada ao Ceará pelo deputado Heitor”, acrescentou Mesquita.
Base amplaMas, mesmo com as críticas, a dinâmica da política permanece. Com “diálogo”, os adversários foram, aos poucos, arrefecendo as críticas e com a proximidade do ano eleitoral a mudança de postura ficou ainda mais evidente. Primeiro foi o DEM, depois o MDB de Eunício Oliveira, o PR sob o comando de Gorete Pereira e, recentemente, o PSD de Domingos Filho e o Solidariedade de Genecias Noronha. Esses dois últimos estavam em constante diálogo com a oposição, com direito a fotos posadas no escritório político do senador Tasso Jereissati (PSDB).
Oposição
Ao lançar o candidato de oposição ao Governo do Ceará, general Guilherme Theóphilo, em evento no dia 21 de maio, Tasso comentou a mudança de postura dos, agora, ex-aliados, citando supostos “conchavos” que teriam proporcionado a mudança de postura. “É uma gincana de conchavos e negócios que estão formando a política do Ceará. Se nós não reagíssemos, não teria candidato de oposição, porque todos os outros [partidos] estão no mesmo balaio. E haja recursos para segurar esse balaio que tá aí”, disparou.
Ao jornal O Estado, quando instado a falar sobre a mudança de postura do senador Eunício Oliveira (MDB) que estava no grupo de oposição e, atualmente, tem manifestado sintonia com a reeleição de Camilo Santana (PT), Tasso foi direto: “O senador Eunício [Oliveira do MDB] tem uma posição muito estranha. Quando sai da fronteira do Ceará, ele é [Michel] Temer, quando entra pra fronteira do Ceará ele é Lula. Então, a gente precisa entender melhor qual a posição dele”, ironizou.
“Contradições”
Em discurso, o tucano evitou o nome de Eunício, mas criticou a aliança entre petista e emedebistas. “Em Brasília, o PMDB é chamado de ‘golpista’ pelo PT e o PT é chamado de ‘ladrões que destruíram o Brasil’ pelo PMDB. Mas, aqui no Ceará, estão todos juntos. Aqui, o que vale é o poder”, disparou. Tasso citou, ainda, “contradições” entre a aliança de PSB e DEM no Ceará, junto a base governista, enquanto as legendas “não se misturam” em nível nacional e disse, sem citar nomes, que as negociações na política são feitas com dinheiro público.
Arco de Camilo
As alianças para a disputa de outubro só serão oficializadas durante o período das convenções partidárias que, este ano, devem acontecer entre os dias 20 de julho e 5 de agosto, segundo estabelece o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Até lá, as tratativas continuam nos bastidores.
O arco de aliança para a reeleição do governador Camilo Santana já soma, extraoficialmente, 19 legendas. Parte delas já estaria com o apoio confirmado por lideranças, como é o caso de PT, PDT, PSB, PP, PR, PTB, PRB, DEM, PPS,PCdoB, PRP, PMN, PEN, PRTB e PSC.
Outro que deve se juntar ao grupo é o PV. Além deles, PSD e Solidariedade estão em diálogo. Já o MDB dá indícios de que marchará unido para garantir a reeleição de Eunício Oliveira ao Senado. As tratativas, no entanto, permanecem longe dos holofotes.
Com informações do OE