Bombardeada de reclamações no ano passado, pelo setor produtivo, por
atrasos recorrentes na execução de novas ligações de energia elétrica, o
que lhe resultou em multas, ainda não pagas, de R$ 20 milhões, a
Companhia Energética do Ceará (Coelce) voltou a ser notificada ontem,
pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do
Ceará (Arce) pelo mesmo problema.
De 2.638 novos pedidos de ligações de baixa tensão, residenciais e
comerciais, feitos no último ano, até março último, no Estado, 2.459, o
equivalente a 93,2% não foram realizadas. Apenas 179, ou menos de 7%,
foram atendidas. Nos últimos seis anos, de 2008 a 2014, já somam 15 mil o
número de pedidos de serviços de ligações de energia elétrica não
atendidos a tempo, pela Companhia.
FIscalização
As informações constam do relatório final da fiscalização comercial
realizada por analistas da Arce, na Coelce, no período de 14 de abril a 6
de maio último e concluído na última quinta-feira. A fiscalização
abrangeu toda a área de concessão da Coelce, tendo passado pelo crivo
dos analistas processos comerciais que vão do atendimento presencial nas
agências ao atendimento telefônico; do pedido de ligação nova ao
aumento de carga, além de ressarcimento de obras executadas pelos
usuários dos serviços de energia elétrica.
Segundo o analista coordenadoria de Energia da Arce, Hugo Manoel
Oliveira da Silva, um dos técnicos que esteve à frente do processo
administrativo de fiscalização nº PCEE/CEE/0022/2014, outro problema
constatado, e que vem se repetindo desde 2011, é o atraso no
ressarcimentos de serviços que deveriam ser executados pela Coelce e que
forma contratados pelos usuários a outras empresas terceiros.
Multas
De acordo com o documento, nos anos de 2011 a 2013, de 190 obras
contratadas por usuários a terceiros, 16 não foram pagas pela Coelce,
121 serviços não foram ressarcidos no prazo de 90 dias estabelecidos
pela Arce e 53 foram pagos, mas sem a devida correção monetária e juros.
Prazo de resposta
"O relatório foi encaminhado ontem (5ª feira) e a Coelce tem prazo de
15 dias, renovados por mais 15 dias, para responder (as notificações",
explicou Oliveira.
Outros processos comerciais, como leitura e faturamento, informações
cadastrais, religação, suspensão do fornecimento de energia e
ressarcimento a danos em equipamentos elétricos, também foram
fiscalizados, tudo isso visando comprovar a regularização das
não-conformidades, o cumprimento das determinações e o atendimento das
recomendações emanadas pela Arce em fiscalizações anteriores.
Da mesma forma, a Arce apurou denúncias de leituras bimestrais pela
Coelce em medidores da área rural, o que foi constatado, mas considerado
legal pela agência. "À exceção da área urbana, a Coelce pode realizar
leituras bimestrais, desde que aplique no mês que não fizer, a média do
consumo ou o que o usuário indicar", explicou o analista. Quanto à
dívida de R$ 20 milhões, relativos às multas aplicadas pela Aneel,
Oliveira explicou que a Coelce requereu, em dezembro último, por meio de
um Termo de Ajustamento de Conduto (TAC), a transformação do débito em
investimentos, sem repasse às tarifas, e prazo de três anos para
regularização dos pedidos de ligações pendentes.
Conforme acrescentou, o requerimento foi acolhido pela Aneel, em abril
último e se encontra em fase de deliberação pelo Conselho diretor da
Arce.
Coelce 'não foi comunicada'
Questionada sobre o relatório da Arce, a Coelce respondeu que "não foi
comunicada oficialmente, até hoje (ontem), 6, sobre o tema", mas
confirmou que, em relação ao TAC "está formalizando um documento com a
Aneel e Arce para atendimento a ligações, no período de três anos".
A companhia informou, também em nota, "que ligou, nos últimos oito
anos, cerca de 140 mil novos clientes por ano" e que nesse período,
investiu, por meio do Programa Luz para Todos, cerca de R$ 1 bilhão,
para o atendimento de mais de 170 mil famílias, principalmente
localizadas na zona rural.

Nenhum comentário:
Postar um comentário